Embora o seu trabalho de realização não seja frequente, Mel Gibson é um realizador que o grande público pode dizer que efectivamente conhece. À excepção de The Man Without a Face (1993), os seus restantes filmes apresentam várias características comuns, que permitem essa identificação do autor, tarefa não raras vezes difícil com os blockbusters.
O sua película mais recente, Apocalypto, embora não estando ao nível de Braveheart (1995), não deixa de ser um filme quase obrigatório. O argumento, apesar de algo criticado por falta de rigor histórico, peca essencialmente por alguma dispersão, sendo difícil ao espectador enquadrar devidamente a acção, num ambiente abundantemente selvagem, onde os perigos surgem em catadupa.
Apocalypto destaca-se sobretudo pela sua beleza estética. Mas o espectáculo visual, traço distintivo da curta obra de Gibson, é acompanhado por uma dose de violência explícita que, tal como em A Paixão de Cristo (2004) – embora não nas mesmas proporções –, chega a ser gratuita. Ainda assim, a sua coerência de estilo é evidente.

